segunda-feira, 1 de novembro de 2010

placebo do amor: ON SALE.


Por mais que o título resuma tudo, me escute.
Pare, e me leia.
Não estou aqui para definir o amor tampouco para falar que ele é complexo. Há algumas pessoas que acham ele excitante, animador, lindo; Há outras que acham patético, digno de humilhação.
Eu tenho minhas conclusões sobre ele, e não pretendo divulgá-las com vocês, por hora.

As pessoas precisam do amor quanto precisam viver. Desculpe-me, mas eu sei respirar muito bem sozinha.
Essa vontade de escrever sobre a necessidade de amar me veio por dois motivos simples:
O restaurante que costumo ir tem pouca mesa para dois. E quando é um casal que vai, pega a mesa de quatro lugares.
Algumas pessoas me intitulam de triste, depressiva pois eu gosto de almoçar sozinha. Ir ao cinema sozinha (tem gente que quase chora quando falo isso!), caminhar sozinha, ficar em casa sozinha.
Eu aprecio a minha companhia. Eu e minha mente, o dia inteiro... há algo melhor que isso numa terça feira chuvosa? ou até numa sexta atordoada, tanto faz.
O segundo motivo: Eu assisti um casamento. Casamento = amor = clichê.
Espera!
Esse casal, cujo eu não sei nem os nomes, era um casal assim... de idade.
Não era aqueles jovens na aurora dos tempos que se apaixonaram, se beijaram e disseram para o taxista: Vai para a igreja!
Eram mais velhos, lá pelos 40, 50 anos.
Foi um dos casamentos mais bonitos que já assisti. Não era aquele que prometia cuidar do outro na alegria e na tristeza, na saúde ou na doença.
Saúde e doença? A gente cuida até do cachorro do vizinho, e está preocupado com a possibilidade do marido adoecer? Faça-me o favor!!

Então, vou enfim falar sobre o amor.
Sobre qualquer sentimento, o Google vai saber te explicar. As pessoas costumam descrever objetivamente e subjetivamente.
Mas sendo sincera, não me importa o que você pensa do amor, e espero que você não se importe sobre o que eu penso do amor. Porém, sejamos claros: o amor está a venda.
Como nunca, as pessoas estão desesperadas para amar. Não sabem diferenciar o gostar, o apreciar do amar.
O Amar enlouquecido, desenfreado.
Não só mulheres como homens querem aquele amor de tirar o fôlego, aquele que a revista sempre comenta: o que te surpreende, o que faz atos fofos, jantar à luz de velas; aquele que num sábado de manhã lhe convida para sair viajar sem destino, pular de bungee jump.
O amar maravilhoso, de capa de revista.
Aquele em que os dois devem ter o físico escultural, que tenham o sorriso perfeito, que combinem todo o dia, toda hora. As metades da laranja. Aquele que é só sorriso, e beijinhos.
Todos sabem que o "te amo" é banalizado.
Não é só ele que está banalizado. É amor.
Pense MUITO bem comigo. Intimidade ainda requer respeito.
Você consegue amar alguém e ainda ser totalmente sincero?
Ter temperança sobre o seu amor, sobre a sua vontade de amar?
Consegue ter a liberdade* de sempre? Consegue controlar suas vontades de solteiro/a?
Ainda pode sumir por dias, e depois voltar com a verdadeira desculpa que só saiu para pensar?
Ainda tem os pés no chão e acha que algumas coisas ainda são impossíveis?
Não.
Não confunda amor com paixão. Amor é aquilo que fica depois que todo o fogo passa.
Deve ser por isso que os restaurantes não se estressam de comprar mais mesas à dois e sim de quatro lugares, porque ter seu espaço é uma vantagem do amor.
Porque tentar encontrar a metade da laranja antes de estar madura é desperdício de força, de tempo. É acúmulo de choro, somente.
As pessoas deveriam se descobrir mais, conhecer mais, aprender mais, lutar mais, para no final, poder amar mais. Porque antes disso, não precisam provar para ninguém que elas têm um coração capaz de amar.
E se for assim, até que a morte os separe.
Ou senão, parem de vender o amor em bancas e em caixas de chocolate.

*Liberdade: Presença de confiança, e distância. Pelo menos, para mim.
Ah! E eu nem vou comentar o amor sobre coisas materiais, animais e vícios. Isso me entristece.

p.s.: Eu sei, eu sumi. Detesto fazer textos com temas tolos, mas é que ele já estava em minha mente faz uma semana.

5 comentários:

Cora disse...

Texto surprendentemente lindo! Encaixou perfeitamente no que eu precisava "ouvir".
Obrigada minha grande amiga.

Elem disse...

Isso é um tema tolo???? Ai, ai... em alguma vida, vc foi eu. Ou eu, você. Sei lá. Quem sabe gêmeas siamesas, que tal?? hehehehe

Só tem uma diferença: Que sensibilidade tem essa pequena....

Beijo enorme.
Amo-te

Crazy Mary disse...

Concordo, isso lá é tema tolo? Afinal, se não é por amor, pelo que mais pode ser? O amor romântico tem mesmo um tom de tragédia, quando se sabe que ele na verdade é um mito. O amor das revistas é mesmo a mais nova definição de amor, o novo produto do consumismo exacerbado, o puro delírio de quem quer mas não sabe o quê.
Enfim, adorei o texto de verdade. Me pegou. Sou meio relapsa quanto ao meu blog e tudo mais, mas sempre que posso venho ver as novidades.

ps: message in a bottle que eu pensei é a do the police, que eu nem sabia q tinha ganhado um cover do john mayer rs.

Natália Tonin disse...

Esse seu texto é super maravilhoso meu amor!! É o meu preferido. Digo sempre: o teu talento me encanta todos os dias. E os teus textos sempre me tocam muito...
Obrigada!
Muitos muitos beijos.

suellen nara disse...

por um momento eu pensei que já tinha comentado esse post, pois eu já o li 3 vezes e sempre me pego pensando em tudo que tá escrito.
perfeito!